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Mostrando postagens com o rótulo crianças

SER MÃE DE DOIS É VIVER EM INTERVALOS

Depois que você tem filhos (sim, no plural), você descobre que o dia não se mede em horas, mas em oportunidades. Quando você era mãe de um, e já reclamava da falta de tempo, terá a chance de descobrir quando (ou se) vier o segundo, que você não sofre mais por pouca coisa. Em algum tempo, você aprende a aproveitar ao máximo as oportunidades. Ele dormiu? Você corre para tomar banho. No meio do seu banho ele acordou? Deixa o cabelo pra lavar depois. Sai enrolada numa toalha, atende o guri. Deita com ele e só acorda às três da manhã pra seguir, zumbi, até algo que pareça sua cama. Três horas depois está em pé, arrumando mochila, lanchinho saudável, vendo que esqueceu de novo de revisar a agenda da pequena no dia anterior e, sim, tinha que ter separado para mandar 45 potinhos de iogurte para o trabalho da escola. O seu café da manhã é mais ou menos entre a primeira criança ir pra escola e a segunda acordar e pedir leite, coisa de 10 minutos, um pouco mais, se der sorte. Ver TV, só depois ...

UM METRO DE REVOLTA

Delícia quando você sai com seus filhos para almoçar no restaurante/supermercado da cidade. Sozinha com eles, os dois super comportadinhos, todo mundo olhando, dando sorrisinhos, elogiando as crianças e você super confiante, se sentindo uma ótima mãe. De repente, o mais novo tem um chilique, sai correndo com um carrinho na mão driblando prateleiras de vinho. Você, ridícula, correndo atrás achando que consegue controlar as coisas somente com o poder da mente. Pega enfim a criança, a segura no colo, e ela se transforma num mini ogrinho, gritando (berrando!): ME LARGAAA, ME LARGA A-GO-RA! Você, com cara de paisagem, repara olhares de reprovação geral, tenta se convencer que sabe o que está fazendo. Quando, por fim, a criança enlouquecida resolve se livrar de você, nem que seja te mordendo, tamanha a indignação (acreditem se quiser), e você se desvia daquela boquinha minúscula com facilidade, daquelas mãozinhas gordinhas irritadas, e olha por um instante aquele mini ser como se não est...

OITO DENTES

João tem um grande sorriso E oito dentes Imita leão Balança o bundão Senta e levanta Ajeita a colher Coloca na boca Depois lambe o pé João é esperto Já dá cambalhota Entra em uma caixa Sai atrás da porta Escala a parede da sala Se esconde embaixo da mala Sapo, sapato, lápis, martelo Pato, caderno, carrinho, chinelo Penteia os cachinhos Escova o dentão Depois é hora da natação é tudo MINHO! Declara João Agarra a irmã e lasca um beijão Faladeiro e brincalhão Ninguém pode com o João Pisco o olho e já não está... Cadê o João? Taqui!!!! - ele responde Com seu grande sorriso E seus oito dentes (Texto: Mariana Faria Corrêa. Para Joãozinho, quando ainda tinha oito dentes | 23.06.2011)

MATERNIZAÇÃO

Quando era mais nova queria ter doze filhos. Planejei começar aos dezessete anos. Tinha também outros planos: viajar pelo mundo por tempo indeterminado, aprender todas as línguas, inventar algo importante e salvar alguma espécie ameaçada. Não fiz nada disso. Não ainda... Acabei fazendo tudo conforme o protocolo. Comecei a namorar aos 18 e casei aos 23 com meu único namorado. Apesar da minha enorme vontade de ser mãe, tive que esperar ainda alguns anos, pois, como a maioria das mulheres sabe, para o marido o momento adequado para maternidade é sempre o próximo após ele terminar o que planejou fazer logo em seguida. Aos meus 26, definitivamente, não dava mais pra esperar... e entre significativas mudanças de vida, recebemos a pequena e profunda Maira. O nome não foi nem fácil nem difícil de escolher. Apesar de nunca termos pensado, ouvido ou visto alguém que se chamasse Maira, pareceu óbvio que esse seria o nome dela. Nem todo mundo aplaudiu. A gestação foi tranquila, bonita, feliz...

MENINO LUZ

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Texto e ilustração: Mariana Faria-Corrêa O menino nasceu e parecia o sol. Ele era grande, claro e quente.  Tão quente, tão brilhante, que às vezes era difícil de olhar. Todos comentavam sobre o menino luz. A mãe se envaidecia, o pai se comovia. Para o menino, na verdade, tanto fazia. O que ele queria, de verdade, era jogar bola, andar de bicicleta e correr pelado tomando picolé. O menino não sabia que era de luz. Não sabia que era diferente dos outros meninos descalços, só algumas coisas ele sabia. Sabia ver cores nos sons e sabia ler as pessoas. Ele tinha sempre suas mãos macias e um sorriso pra você. Ele também sabia de onde ele vinha e pra onde todos vão. Sabia sentir cheiros como ninguém, de medo, de fruta, de carne na panela. Esse menino era claro, radiante e acolhedor, mas o que ele queria mesmo, de verdade, era brincar com a irmã na caixa de areia.

NADA COMO UM BOM PLANEJAMENTO DE VIAGEM

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Texto e ilustração: Mariana Faria-Corrêa O Marido resolveu que ia a um congresso em agosto nos EUA e precisava pedir o visto. Perguntou se eu não queria encaminhar o meu e das crianças também.  Eu disse: - Ahh, pra que...?  Mas os argumentos foram convincentes: - Quem sabe uma viagem em família em fevereiro? Então encaminhamos a papelada, mas avisei:   - Não quero ter que fazer nada!  Ele concordou e até que se esforçou. Preencheu formulários, organizou documentos. Fora a função das fotos, que tinham regras claríssimas a respeito da necessidade de aparecerem orelhas e do rosto ocupar metade do espaço (e que, aliás, ficaram péssimas), não fiz muito mais de que eu pudesse reclamar. Depois, veio a hora de marcar a entrevista.  - Para onde iremos? Agora são dois dias de função no Consulado... em São Paulo demora, no Rio é rápido... e o Rio... bom, eu não conheço o Rio... tem o Cristo, a paisagem, o Pão-de-açúcar, o bondinho, as praias... ...